




A origem das celebrações
O Corpus Christi no Mundo
A celebração de Corpus Christi teve origem no Século XIII, quando a Igreja Católica sentiu a necessidade de reforçar a fé na presença real de Cristo na Eucaristia. A solenidade foi oficialmente instituída pelo Papa Urbano IV, em 11 de agosto de 1264, por meio da bula Transiturus, determinando sua celebração na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
A devoção ganhou força a partir das visões da religiosa Juliana de Mont Cornillon, na Bélgica, que defendia a criação de uma festa dedicada exclusivamente à Eucaristia. As primeiras procissões aconteceram em Liège, inicialmente dentro das igrejas e, mais tarde, pelas ruas da cidade, espalhando-se pela Europa ao longo dos anos.
O ofício litúrgico da celebração foi elaborado por São Tomás de Aquino, responsável por importantes textos e cânticos utilizados até hoje na tradição católica.
A procissão de Corpus Christi tornou-se um dos principais símbolos da solenidade, representando a fé dos cristãos na presença de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. A Eucaristia, instituída por Jesus na Última Ceia, é celebrada pela Igreja como memorial de sua entrega e permanece como um dos sacramentos centrais da fé católica.






A tragetória da nossa cidade
O início das festividades em Matão
A tradição de Corpus Christi em Matão atravessa gerações e se tornou uma das manifestações religiosas e culturais mais marcantes da cidade. Os primeiros registros da ornamentação das ruas remontam à década de 1930, quando famílias começaram a decorar o trajeto da procissão com toalhas, flores, imagens religiosas e folhas verdes, inspiradas em costumes trazidos por imigrantes italianos.



Com o passar dos anos, a celebração ganhou novos elementos e passou a mobilizar bairros inteiros. Na década de 1940, surgiram os primeiros tapetes feitos com folhas de mangueira, flores e cedrinho. Mais tarde vieram os arcos de bambu, bandeirinhas, lanternas e desenhos produzidos com papel colorido e flores naturais. Cada quarteirão buscava criar enfeites cada vez mais elaborados para homenagear o Santíssimo Sacramento.
A partir dos anos 1950, os tradicionais tapetes começaram a utilizar materiais como serragem tingida, palha de arroz, pó de café, areia e bico-de-papagaio. Já no fim daquela década, o cavaco de madeira e o pó de serra colorido passaram a dar ainda mais destaque aos desenhos.


Nos anos 1970, o vidro moído colorido tornou-se uma das principais marcas da celebração em Matão, atraindo visitantes de diversas regiões pela beleza e riqueza dos detalhes. Atualmente, a dolomita substituiu o vidro, mantendo viva a tradição artística dos tapetes.Além da fé, Corpus Christi sempre foi marcado pelo envolvimento coletivo da população. Famílias inteiras passavam a madrugada preparando os desenhos, organizando os materiais e decorando as ruas por onde passaria a procissão.

Muitas histórias curiosas também ficaram marcadas ao longo das décadas, como ruas transformadas em verdadeiros jardins cenográficos com árvores artificiais, flores de papel e grandes estruturas ornamentais.Mais do que uma celebração religiosa, Corpus Christi em Matão representa união, memória e preservação cultural.
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A tradição continua sendo passada de geração em geração, mantendo viva uma das mais belas expressões de fé e participação comunitária da cidade.




